Apesar de imundo, com escassas roupas, barbas longas o que mais me impressionou foi ver o seu desespero e o seu rosto devastado ao procurar em cada caixote, que para nós é entendido como imundície, uma simples refeição e não a obter. O seu olhar profundo implorando alimento. De tanta gente naquela rua a passar, cada um sentado a ler o seu livro, a ouvir a sua música, a contar episódios hilariantes das suas vidas, a destruir o dinheiro em visitar algo cultural, ninguém reparava no carente ser humano que se arrastava e se entristecia ao ver todo aquele cenário de riqueza e euforia…
Até alguém se dirigir a esse ser desconsolado e lhe entregar uma pequena porção de sustento.
Os olhos do sujeito brilhavam repletos de lágrimas de gratidão e de júbilo. Aparentava ter ganho o euromilhões. O que para certas pessoas seria algo para desperdiçar e que não fazia sentido algum para ele tornara-se na melhor refeição da semana.
Ver aquela extraordinária e invejada alegria fez com que o alguém se sentisse concretizado e completo por dentro depois de tal boa ação feita.
A verdade é que por vezes pequenos gestos podem fazer toda a diferença seja qual for a reação do próximo.
a cascata da vida
Se pudesse definir a minha vida assemelhá-la-ia a uma cascata em que a água não tem uma queda certa, melhor dizendo: os jatos de água são indefinidos pela sua pressão, pois esta varia consoante as temperaturas. Vejo a minha vida um pouco assim, impossível de controla-la. É sempre tão imprevisível, e quando falo nesse termo arrisco-me a uma falácia de generalização precipitada. Espantoso é alguém como eu dramatizar tanto, não é? A verdade, é que só me limito a escrever, maioritariamente, em momentos de queda, como a água.
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